Triorganizada | É possível viver bem com menos?
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É possível viver bem com menos?

Sempre fui uma pessoa organizada…desde a minha infância! Talvez a melhor pessoa para descrever a minha vida seja a minha mãe. Ela sabe bem como sou… parecia uma obsessão…mas, só parecia! Óbvio que não vou admitir…mas o bom é que essa “mania de organizar” está se tornando uma profissão (ufa!).

Embora sempre tenha sido muito organizada, eu sempre gostei de ter coisas. Coisas para usar, combinar, decorar. Deixava tudo guardado para um dia se eu precisasse, estaria lá…até enjoar e colocar fora. Nunca me apeguei muito. Mas, acabava comprando outras coisas e logo o espaço era preenchido por novidades.

Quando começaram a surgir organizadores de vários modelos (antigamente, só existia caixas), entrei em êxtase…logo pensei: “agora posso ter vários objetos para guardar todas as coisas que tenho”!

Mas, logo também vieram as mudanças…Em 7 anos, fiz 8 mudanças de casa e de cidade. E, ainda, surgiram os filhos! Ou seja, o volume de coisas só aumentou. Além dos meus pertences e dos objetos da casa, tinham os pertences das crianças e muitos, muitos brinquedos para carregar.

Quem fica por anos numa mesma residência costuma guardar mais objetos e, dificilmente, deles se desfazer, seja porque não tem o hábito de organizar e desapegar do que não usa, seja por não ter tempo, paciência ou habilidade para tal tarefa. Com isso, os objetos vão ficando guardados e até esquecidos dentro de armários.

Já quem tem o hábito de fazer muitas mudanças de residência, naturalmente acaba se desapegando e eliminando com mais facilidade os seus objetos que não usa mais. Talvez essa não seja uma regra, mas, deveria ser uma tendência natural ter menos coisas para carregar de um lado para o outro e, assim, facilitar, agilizar e baratear a mudança.

Mas, eu ainda carregava muita coisa. Eu sempre coloquei tudo no lugar rapidamente a cada mudança, mas estava cansada de carregar coisas que não tinha mais utilidade. Esforço, energia e tempo gastos em vão, além do dinheiro para fazer o transporte. Na minha última mudança, eu me cansei de vez!

No dia a dia, sempre ensinei as crianças a se organizarem, desde pequenos, mas, hoje, tenho uma “vida moderna”, ou seja, além de mãe, esposa, dona de casa e profissional, não tenho empregada doméstica! Então, realmente precisei me tornar mais prática.

Percebi que estava na hora de fazer uma nova mudança: uma mudança de hábito, interna, de comportamento e de valores.

Então, começou o verdadeiro processo da organização na minha vida.

Algumas regras são usadas para facilitar esse desprendimento dos objetos, como “se você não usa há mais de 1 ano, descarte”, ou “viva apenas com 100 itens” ou “fique sem comprar por 365 dias”. Essas técnicas podem funcionar e irão depender do estilo de cada pessoa. O desafio é sempre estimulante. E é bom contar para várias pessoas, pois isso faz aumentar o seu compromisso.

Mas, o importante pra mim foi avaliar os meus hábitos e o que realmente faz sentido na minha vida.

Sinceramente, nunca contei quantas peças tenho ou preciso para viver, mas sei que não preciso de um bufê se nem espaço em casa tenho para receber, quanto mais para guardar. Também não preciso de uma dezena de calças jeans, se gosto de usar só 2.

Confira o post: 5 dicas para ajudar a decidir o que fica na hora de organizar a sua casa

 Foi importante parar, analisar cada objeto e perguntar:

Isso tem importância pra mim?

Eu uso? Me sinto bem usando?

Se precisar um dia, será difícil conseguir emprestado ou comprar outro?

Me traz boas lembranças? Me sinto feliz ao ter ou usar esse objeto?

Tem sentido eu ter isso guardado?

É fácil limpar, lavar, passar?

Tem lugar pra você?

Vou querer continuar com você?

Tantos enfeites espalhados, vão facilitar a minha vida na hora da limpeza? Eles significam coisas boas para mim?

Vou ler esse livro de novo?

Com apenas uma resposta NÃO a qualquer das perguntas, o objeto foi descartado (doado ou vendido).

O que preciso ter para viver bem e com conforto, sem acumular ou tumultuar a minha vida? Como quero que a minha vida seja?

Foram 2 perguntas fundamentais para o meu despertar, para minha mudança.

E continuei analisando: Por que nos sentimos bem quando estamos hospedados num quarto de hotel? Como questiona Francine Jay, em seu livro Menos é mais: “por que precisamos de tanto a mais quando voltamos para a vida real?”

hotel

Foto: Google

E por que adoramos ver revistas e programas de decoração com tudo no lugar? Pense na sensação boa de poder circular no quarto, sala ou cozinha sem ter coisas espalhadas pelo chão ou móveis atravancando o caminho. Ou abrir o seu roupeiro e as roupas estarem todas à vista e organizadas. E a facilidade e rapidez para colocar tudo no lugar. É gostoso imaginar isso, não? Então, por que a nossa casa tem que ser diferente? Realmente precisamos de tanta coisa para viver?

Se pensarmos racionalmente, o ser humano precisa de muito pouco para viver. O que nos leva a consumir, na maioria das vezes, não é a necessidade, mas sim o prazer. Um prazer, no entanto, que não está relacionado à verdadeira felicidade, mas sim à uma satisfação passageira, que logo nos leva a comprar novamente e comprar e comprar. E não é na mesma proporção que se desapega, desapega, desapega.

Leia também: O que fazer quando não se consegue jogar algo fora?

Mas, viver com o essencial, com leveza, com praticidade, torna a vida muito mais prazerosa. E o excesso compromete a organização. A organização não tem a ver com simplicidade ou luxo, mas sim com quantidade e cuidado com os pertences. E com menos objetos, tudo se torna muito mais fácil!

Percebendo isso, passei a adaptar a minha casa à minha vida, à minha rotina e aos meus hábitos e não o contrário. Muitas pessoas acham que precisam ter mais armário para solucionar a desorganização na sua vida. Mais armário pra guardar o quê? Coisas que não se usam?! Não se organiza bagunça! Não se guardam tralhas!

Se um dia um objeto serviu e não serve mais, deixe-o ir! Agradeça-o pelo tempo que o serviu e abra espaço para o novo!

Ouço muito me dizerem: “mas, eu coleciono isso, isso, isso”. Desculpe-me, mas você não coleciona, você acumula. Um pouquinho de cada coisa não é coleção, mas sim compulsão por ter as coisas. Não estou falando aqui de distúrbios, que são situações graves e devem ser analisadas por profissionais. Estou falando de hábitos que se tornaram comuns nos dias de hoje de consumir com facilidade e em excesso. Vivemos uma era de consumo absoluto, inclusive como sinônimo de felicidade e julgamento de quem somos. É como se o nosso caráter se formasse a partir da roupa que vestimos ou do objeto que usamos…

Por outro lado, não estou aqui para julgar ninguém nem criticar o consumismo, até porque vivemos numa economia capitalista e a cada dia surgem recursos pra facilitar ainda mais a nossa vida. Não podemos ignorar essa realidade. Também estou no mesmo barco. Mas, será necessário ter coisas que não usamos para ter uma vida melhor ou ser feliz?

Quando falo em ter coisas, é quando simplesmente compramos, sem motivo e em excesso. Aproveitar uma promoção para comprar o que não está precisando pode comprometer não só o nosso espaço, mas também o nosso orçamento.

Como especialista em organização, percebo ainda que as pessoas, de uma forma geral, estão presas a objetos que, muitas vezes, nem trazem lembranças boas. Mais um motivo para não guardar! E é só um objeto. É compreensível ficar “preso” a algum sentimento ou pessoa, mas é muito mais libertador e prazeroso se despedir da “situação” e se livrar do objeto. E quanto às boas lembranças…existe outros lugares muito melhores para guardar: na memória e no coração!

Eu reduzi a quantidade de coisas em casa. E, hoje, ter objetos me incomoda…. não gosto mais do plural…prefiro o singular! Não tenho gostado do comprar; prefiro o fazer! Não quero uma coleção de sapatos! Quero caminhar!

Estabeleci um limite para tudo na minha casa e criei técnicas pra não acumular objetos. E com espaços definidos para cada coisa, a organização e limpeza ficaram muito mais fáceis. Peguei, usei, guardei no lugar. Praticamente, não organizo mais a minha casa.

E percebi que não tem só a ver com as inúmeras mudanças de casas que fiz, mas por buscar uma vida mais prática e não associar a felicidade às coisas materiais.

Tenho mais descobertas para compartilhar com você, como o consumo consciente, consumo colaborativo, estilo de vida minimalista, como ser mais prática no dia a dia, como envolver as crianças na organização, a energia diante do acúmulo de objetos, mas vou preparar cada assunto separadamente e com carinho para você.

Para entender o verdadeiro processo da organização e como viver melhor com menos, deixo aqui algumas dicas:

Com poucos objetos, preciso de pouco espaço, ou seja, minha casa pode ser menor, posso investir menos em armários, e até trabalhar menos porque não preciso de tanto dinheiro, além de ser mais fácil de limpar. E, quando precisar de algo novo, é só trocar!

Se você acha que precisa guardar porque um dia pode precisar e pode não ter, talvez não esteja acreditando que o melhor pode vir pra você…

Pessoas modernas são mais versáteis: têm poucas peças, mas boas e que possam ser usadas com várias combinações. Isso serve para todos os objetos, desde roupa até utensílios da cozinha.

Um erro comum na hora de organizar é não respeitar o espaço. O seu espaço é o seu limite para as “coisas”. Valorize o seu espaço. Ele é tão importante quanto as suas coisas. Faça escolhas se for preciso. E evite o “quarto da bagunça” ou o excesso de armários. Armários foram feitos para guardar e acomodar os objetos que se usam e não para guardar ou esconder a bagunça.

Leia também: 5 erros comuns na hora de organizar.

Essa mudança interna (de hábitos, de valores, de compreensão, etc.) pode ser feita por qualquer pessoa ainda que não mude de casa e certamente irá melhorar a sua qualidade de vida! Aposte nisso! E compartilhe comigo as suas mudanças também.

triorganizada
fabiana@triorganizada.com.br

Fabiana Machado.
Consultora em organização.